O Além da Retórica em Vanitas, 51 avenue d’Iéna de Almeida Faria

  • Cristina Robalo-Cordeiro Universidade de Coimbra
Palavras-chave: vaidade, pintura, literature, retórica, eternidade

Resumo

O conto Vanitas, 51 avenue d’Iéna, publicado em 2007 pela Fundação Calouste Gulbenkian, inspirou a Paula Rego o magistral tríptico “Vanitas”. Almeida Faria, reproduzindo a voz de Edgar Poe, que empresta ao pintor Mário Botas, proporciona-nos um encontro com o fantasma do opulento colecionador, cujas memórias estéticas preenchem a conversação entre os dois interlocutores. Tratar-se-á de um jogo retórico denunciando a ilusão ligada a qualquer composição literária, a começar pelo próprio texto, ou, ao invés, de uma profissão de fé na eternidade das obras de arte, mesmo as literárias? Esta relação entre a literatura e a pintura é uma das chaves da obra de Almeida Faria, mas permanece sempre tensa e ambígua, marcada por uma certa subordinação – irónica? – da primeira face à segunda. É que a literatura, arte das palavras, não pode, na sua necessária discursividade, rivalizar com a instantaneidade intuitiva da fruição estética que os quadros oferecem. Mas não permanece o escritor definitivamente mestre do jogo?

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2020-09-28