Pensar O Timeu de Platão: da interligação alma-corpo
DOI:
https://doi.org/10.14195/0872-0851_69_1Palabras clave:
Platão, Timeu, Cosmos, Alma-Corpo, MúsicaResumen
O Timeu de Platão, uma das obras cosmológicas maiores da antiguidade, foi uma das referências dominantes até à Revolução Científica. Por isso, a sua leitura atual restringe-se, muitas vezes, a uma "curiosidade arqueológica", usada apenas para confirmar as profundas ruturas trazidas pela física moderna. A ciência moderna, ao postular o seu método como o único capaz de alcançar a verdade, expandiu-o até à s ciências humanas, uma abordagem que Platão, contudo, criticaria veementemente. Para si, cada classe de coisas exige uma ciência que lhe seja adequada; estudar o homem pelo método físico seria idêntico a reduzi-lo ao "infra-humano", desconsiderando a sua especificidade. Na verdade, o Timeu investiga o cosmos pelo divino, o "supra-humano" que o desenharia, e parte da premissa de que o homem, para pensar o todo, deve necessariamente levantar hipóteses sobre o todo para deduzir a natureza do cosmos e, consequentemente, o seu próprio "lugar". Nesse sentido, Platão reconhece tacitamente que o ponto de partida para qualquer investigação sobre a totalidade do ser são as opiniões ou noções pré-científicas que alicerçam a ciência humana, ou seja, a arte que culmina no conhecimento dos fins. O carácter elusivo do conhecimento dos fins reflete o carácter elusivo do conhecimento do Bem, o fundamento da moderação, ao passo que o infinito conhecimento dos meios toca na complexidade da organização do Bem nas formas do todo e, por conseguinte, no mundo sensível. Este ensinamento opor-se-ia diretamente à crítica de Francis Bacon aos antigos, em particular a Aristóteles, e aponta para um caminho de conciliação: tal como uma música que recria a harmonização do cosmos nos seus traços permanentes e mutáveis, na sua heterogeneidade (de classes) e homogeneidade (de meios), o Timeu sugere que, embora o homem não seja um Demiurgo, a beleza da sua arte pode elevá-lo. Este artigo visa iniciar uma reflexão sobre a arte do Timeu para chegar aos termos do próprio autor, inclusive sobre o significado, muitas vezes desconsiderado, da presença de Sócrates no diálogo e, por conseguinte, na subtil relação que se estabelece entre as ciências humana e natural. Essa é uma questão complexa que exige a articulação da reflexão sobre o que está em movimento “ o mundo visível “ com a daquilo que permanece em eterno repouso “ as ideias ou formas.
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