Entre a Tradição e a Revolução
Discursos da Coroa
DOI:
https://doi.org/10.14195/2183-8925_29_12Resumo
O movimento iniciado no Porto a 24 de Agosto de 1820 e as consequências dele decorrentes não só puseram termo ao Antigo Regime em Portugal, como deram ali início à contemporaneidade política. Como tal, desencadearam mutações a todos os níveis da sociedade e do Estado, atingindo estas últimas tanto as estruturas do poder, como o próprio poder e o seu titular. Sob um certo ponto de vista teria sido a instituição régia a mais abalada de imediato na sua fundamentação, personalização e prestígio seculares. De ungido de Deus e de único entre os homens pelo poder que encarnava e que exercia, o rei tornou-se soberano apenas pela vontade dos povos, com as prerrogativas e os limites que estes achavam por bem conceder-lhe e impor-lhe. E se é verdade que num primeiro momento uma certa aura não deixou de lhe ser reconhecida, embora por evidente conveniência, depois viu-se envolvido, em muitos casos, na sucessiva quebra da concepção de ser a monarquia a melhor forma de governo. As repúblicas triunfantes, concordes com o valor da igualdade ligado à liberdade que despontava, deixaria à realeza tão só o espaço do sonho e do mito, permanente, mas não operativo.
Downloads
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Os autores conservam os direitos de autor e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite a partilha do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.








