A DIMENSÃO FICCIONAL DAS FIGURAS HISTÓRICAS EM TEXTOS DE IMPRENSA QUEIROSIANOS: O CASO DE CARTAS DE LONDRES
DOI:
https://doi.org/10.14195/2183-847X_6_10Palavras-chave:
crónica, personagem, personagem histórica, figuração, Eça de Queirós, metalepseResumo
Este artigo analisa os procedimentos de figuração utilizados por Eça de Queiro?s nas cro?nicas de imprensa, publicadas no jornal A Atualidade no fim da de?cada de 70. Entendendo a escrita paraficcional queirosiana como um exerci?cio de ensaio para estrate?gias ficcionais e, partindo do princi?pio da relevância que a personagem assume nos romances do escritor, demonstra- -se como são modeladas ficcionalmente as diversas figuras histo?ricas que povoam estas cro?nicas. Examina-se como estas personagens são um caso especial daquilo a que podemos chamar de dupla figuração: aquela que e? inicialmente feita pelo discurso de imprensa a que acresce a releitura de Eça. De facto, quer se trate das personagens histo?ricas reconhecidas, quer de figuras do universo popular, todas elas resultam de uma seleção, sujeita ao crivo humori?stico do cronista. Desconstruir, pela sa?tira e pelo ridi?culo, a seriedade e importância de um pai?s como a Inglaterra, parte do imagina?rio civilizado europeu, parece ser uma das finalidades desta correspondência, dando continuidade a um tipo de registo tipicamente queirosiano, estimu- lado pela arguta capacidade de observador e de leitor cri?tico.
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