Personagens inventadas: jornalismo e ficção na I Grande Guerra mediática (1914-1918)

  • Luís Augusto Costa Dias IHC – NOVA

Resumo

O texto parte da perspetiva, já anteriormente estudada, de que a imprensa de massas em Portugal − que tem em 1865, com a fundação do Diário de Notícias, o seu ano zero e, a partir de 1881, com o jornal O Século a sua expansão imparável – transformou a I Grande Guerra, de 1914-1918, na primeira grande guerra mediática. À apoteose da guerra não faltou o recurso à ficção, no sentido literário − aquilo a que o jornalista Mário de Almeida então chamou a “literatura da guerra”, como um “campo baldio” pronto a “passa[r]-lhe a charrua por cima”, e que designo por ficções de guerra. O corpus textual de que falo, publicado na revista Ilustração Portuguesa (pertencente ao império d’O Século), num conjunto que não perfez quatro dezenas de textos, ocupou um arco cronológico que se estendeu, com decrescente regularidade, de 1 de fevereiro de 1915 a 28 de agosto de 1916. A iniciativa partiu, salvo um ou outro autor à procura de um lugar nas letras, de um campo jornalístico ainda de paredes meias com a escrita ficcional ou teatral – ou, como esperava o interlocutor de um conto de Natal na guerra: “Meta-lhe você um bocado de literatura e aí tem um assunto para um conto de Natal...” Não tanto pelos temas, são as personagens que, pela sua resolução, pelo esforço, pelo sacrifício ou pela glória moralizadora, vão ao encontro do mercado das emoções criado pela propaganda mediática.

Palavras-chave

I Grande Guerra, O Século, Ilustração Portuguesa, jornalismo e literatura, ficção de guerra

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Publicado
2018-03-05
Como Citar
DIAS, Luís Augusto Costa. Personagens inventadas: jornalismo e ficção na I Grande Guerra mediática (1914-1918). Mediapolis – Revista de Comunicação, Jornalismo e Espaço Público, [S.l.], n. 6, p. 41-59, mar. 2018. ISSN 2183-6019. Disponível em: <http://impactum-journals.uc.pt/mediapolis/article/view/5360>. Acesso em: 16 nov. 2018.